08/07/2026

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Policial militar é condenado a 21 anos por matar cabo da PM em Porto Velho e perde a farda

Thiago Gabriel, que já respondia ao processo preso preventivamente, deixou o plenário diretamente para o sistema penitenciário, onde iniciará o cumprimento da pena.

O Tribunal do Júri de Porto Velho condenou, nesta quarta-feira (8), o policial militar Thiago Gabriel Levino Amaral pelo assassinato do cabo da Polícia Militar Elder Neves de Oliveira, de 36 anos. Após um julgamento que se estendeu durante todo o dia e terminou no início da noite, o réu foi sentenciado a 21 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, além de perder o cargo público na Polícia Militar de Rondônia.

O homicídio, conhecido na capital como “Crime da Pinheiro”, ocorreu na madrugada de 18 de janeiro de 2023 e causou grande comoção entre os integrantes da corporação e a sociedade rondoniense, principalmente porque vítima e acusado eram amigos.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o cabo Elder Neves foi executado com dois disparos na cabeça enquanto estava ao volante de sua caminhonete, logo após ambos deixarem um bar localizado na Avenida Pinheiro Machado.

Durante o julgamento, o Conselho de Sentença acolheu as qualificadoras apresentadas pela acusação, reconhecendo que o crime foi praticado por motivo fútil, decorrente de uma discussão considerada banal ocorrida semanas antes do homicídio; com emprego de meio cruel, em razão da violência dos disparos efetuados à queima-roupa; e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que Elder foi surpreendido dentro do próprio veículo, sem qualquer possibilidade de reação.

Mesmo gravemente ferido, o cabo ainda tentou conduzir a caminhonete, mas perdeu o controle da direção, colidiu contra um veículo estacionado e parou sobre a calçada. Quando equipes de socorro e policiais militares chegaram ao local, a vítima já estava inconsciente, com o pé pressionando o acelerador.

Ao longo da instrução processual e também durante a sessão do júri, a defesa de Thiago Gabriel sustentou que o policial havia consumido bebidas alcoólicas em conjunto com medicamentos na noite do crime, alegando que ele não se recordava do que havia acontecido.

Entretanto, pedidos anteriores para realização de exame de sanidade mental e para a exclusão das qualificadoras já haviam sido rejeitados pela Justiça.

Com a decisão soberana do Tribunal do Júri, o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Porto Velho fixou a pena em 21 anos de prisão, determinou o cumprimento da sentença em regime inicialmente fechado e decretou a perda do cargo público, oficializando a exclusão do condenado dos quadros da Polícia Militar de Rondônia.

Thiago Gabriel, que já respondia ao processo preso preventivamente, deixou o plenário diretamente para o sistema penitenciário, onde iniciará o cumprimento da pena. A defesa ainda poderá recorrer da condenação nas instâncias superiores.

 

Por Rondoniaemqap