04/11/2026

Rondoniaemqap

De olho na Segurança Pública

PEC da Segurança Pública é aprovada no Senado e traz mudanças para a Polícia Penal, PRF e criação das Polícias municipais

A PEC pode traz mudanças importantes para a Polícia Penal, PRF e demais forças de segurança. Veja o que muda e quais são os impactos para os profissionais da área.

O Senado Federal aprovou, na terça-feira (3), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, que promove mudanças na organização da segurança pública brasileira e estabelece novas diretrizes para o enfrentamento ao crime organizado. 

A proposta foi aprovada em dois turnos, com 73 votos favoráveis no primeiro e 75 no segundo, sem votos contrários. De autoria do Poder Executivo, o texto agora segue para promulgação pelo Congresso Nacional. 

A medida busca ampliar a integração entre União, estados, Distrito Federal e municípios, fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e garantir maior participação do governo federal na coordenação das políticas de combate à criminalidade. 

Polícia Penal terá participação fortalecida no sistema de segurança pública 

Um dos pontos de destaque da PEC é o fortalecimento da estrutura constitucional das políticas penais e do sistema penitenciário brasileiro. 

A proposta prevê a criação do Sistema de Políticas Penais, com o objetivo de organizar e integrar as ações relacionadas à execução penal, ao funcionamento do sistema prisional e à atuação dos órgãos responsáveis pela administração penitenciária. 

A Polícia Penal passa a estar inserida em um modelo mais amplo de cooperação entre as instituições de segurança pública, fortalecendo a articulação com as demais forças policiais. 

A proposta também prevê mecanismos de financiamento para o sistema penitenciário, por meio do fortalecimento do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN), com regras destinadas a assegurar maior previsibilidade na aplicação dos recursos. 

Na prática, as mudanças podem representar melhores condições institucionais para o desenvolvimento das atividades relacionadas à custódia, vigilância, segurança e execução penal. 

Entretanto, a aprovação da PEC não estabelece automaticamente reajuste salarial, novo plano de carreira ou progressão funcional para policiais penais. Eventuais mudanças nesses direitos dependerão de normas específicas e das competências legislativas de cada ente federativo. 

Combate às facções criminosas terá regras mais rigorosas 

Outro eixo importante da proposta é o endurecimento das medidas contra integrantes de organizações criminosas, facções, milícias e grupos paramilitares. 

O texto prevê medidas mais severas, especialmente para integrantes que ocupam posições de liderança nessas organizações. 

Entre as medidas previstas estão: 

  • Cumprimento obrigatório de penas em estabelecimentos penais de segurança máxima, nas hipóteses estabelecidas pela Constituição e pela legislação. 
  • Restrições à progressão de regime e a benefícios penais. 
  • Medidas de confisco de bens e patrimônio relacionados às atividades criminosas. 
  • Responsabilização de empresas envolvidas com organizações criminosas. 
  • Proteção a denunciantes e seus familiares. 

O objetivo é dificultar a atuação das organizações criminosas, atingir suas estruturas financeiras e impedir que lideranças continuem comandando atividades ilícitas de dentro dos presídios. 

PRF poderá atuar em ferrovias e hidrovias federais 

A PEC também amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), permitindo sua atuação no policiamento ostensivo de ferrovias e hidrovias federais. 

A mudança busca ampliar a capacidade de fiscalização e combate ao tráfico de drogas, armas, contrabando e outros crimes praticados em diferentes modalidades de transporte. 

Municípios poderão criar polícias municipais 

Outra novidade é a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil, voltadas ao policiamento ostensivo e comunitário. 

A criação dessas instituições deverá observar critérios de formação profissional, capacidade financeira, acreditação e controle externo pelo Ministério Público. 

A medida amplia a participação dos municípios na estrutura de segurança pública, respeitando as competências constitucionais dos demais órgãos. 

Mais recursos para a segurança pública e o sistema penitenciário

A proposta também estabelece mecanismos para fortalecer o financiamento da segurança pública. 

Entre as medidas estão a proteção contra contingenciamento e bloqueios orçamentários dos seguintes fundos:

  • Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP); 
  • Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN); 
  • Fundo para o Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal (FUNAPOL). 

O texto também prevê repasses obrigatórios de recursos e destinação de parte do superávit financeiro anual do Fundo Social, ligado ao pré-sal, para o financiamento da segurança pública. 

A intenção é garantir maior estabilidade financeira para investimentos em equipamentos, estrutura, tecnologia e fortalecimento das instituições. 

Redução da maioridade penal ficou de fora 

Apesar das discussões durante a votação, a redução da maioridade penal não foi incluída no texto aprovado. 

As emendas que tratavam da possibilidade de reduzir a idade de responsabilização penal de 18 para 16 anos, ou até 14 anos em determinadas situações, foram separadas e deverão tramitar como propostas independentes. 

Com isso, a PEC da Segurança Pública foi aprovada sem alteração da idade mínima de responsabilização penal prevista na Constituição Federal. 

Quando as mudanças começam a valer? 

Após a aprovação nas duas votações do Senado, a PEC segue para promulgação pelo Congresso Nacional. A entrada em vigor da emenda constitucional depende da conclusão dessa etapa formal. 

Algumas mudanças poderão depender de regulamentação e de legislação complementar para serem efetivamente implementadas. 

A proposta representa uma das principais mudanças constitucionais recentes na organização da segurança pública brasileira, com impactos na integração das forças policiais, no sistema penitenciário e no enfrentamento ao crime organizado. 

  

Por Rondoniaemqap / Com informações Senado Notícias