
Em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (9) em Porto Velho, a Polícia Civil apresentou as primeiras informações oficiais sobre a verdadeira motivação do assassinato da professora de Direito e policial civil Juliana Lima Mattos Santigo, 41 anos. Ela foi assassinada na noite da última sexta-feira (6) dentro de uma sala de aula da Fimca pelo aluno João Cândido da Costa Júnior.
O criminoso alegou um possível envolvimento amoroso entre ele e a professora, mas a delegada Leisaloma Carvalho, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção Pessoa (DHPP) descarta categoricamente qualquer ligação emocional. Pelo contrário, João Cândido se mostrou frustrado em mensagem à vítima quando viu uma imagem nas redes sociais dela e do namorado. “Perdi para concorrência”, disse ele em mensagem enviada a professora assassinada. Para a delegada, houve um sentimento de frustração do autor do crime por sentir-se rejeitado pela vítima. “Ela teria dito ao aluno que esse tipo de relacionamento é proibido pela faculdade e que ele não deveria ultrapassar os limites entre aluno e professor”, disse a delegada. Leisaloma não se descarta o crime de feminicídio, mesmo não havendo relação entre os dois, porque o tipo penal se caracteriza pelo sentimento de “posse e desprezo por ser mulher”.
Outra versão descartada pela delegada foi em relação a possível notas baixas do criminoso. Foi levantada a ficha do aluno e ele tem notas elevadas, não precisando de décimos para passar na matéria que era ministrada por Juliana Santiago. “Também não é verdadeira a informação que fora a vítima que teria levado uma faca para o aluno. Mas a investigação prossegue e vamos ouvir mais pessoas para garantir o pedido de condenação do autor”, declarou a delegada Leisaloma. “E também não descartamos que o crime tenha sido premeditado”. Confira as declarações da delegada:
Nenhuma relação íntima
“Durante a sua prisão, ele teria mencionado que havia tido um relacionamento amoroso com a vítima. No entanto, em sede de interrogatório formal, já na delegacia de Polícia, na Central de Flagrantes, ele fez uso do seu direito constitucional nesse manter-se em silêncio. Estava devidamente acompanhado por um advogado. No entanto, os policiais que se fizeram presentes, bem como as testemunhas que estavam presentes e que puderam conferir a versão do infrator, elas foram muito consistentes em revelar detalhes do que ele havia dito ali no momento de sua prisão”.
“Nós iniciamos a investigação e passamos o final de semana trabalhando em dados técnicos e em provas para que a gente pudesse esclarecer a motivação desse infarto. A Polícia Civil não trabalha com ilações, nós trabalhamos com provas. E o que ficou levantado até o presente momento é que a vítima Juliana não teve relacionamento amoroso com o suposto infrator.”
“Ao contrário: ela impôs e teve limites, colocou limites quanto àquele tratamento que o infrator teria demonstrado em relação a ela. O infrator e isso ficou demonstrado aqui nos autos, o infrator tentou por várias vezes uma aproximação com a professora de forma a extrapolar aquela relação de professor e aluno. Inclusive, Juliana, há registros, de que ela informou ao aluno de que aquilo era proibido, que poderia causar inclusive demissão na faculdade, uma vez que é contra as normas e regimentos escolares ou da faculdade qualquer tipo de relação íntima entre aluno e professor.”
Não suportou rejeição
“Ainda assim, diante disso, informado, com a professora tendo postado em sua rede social o seu status, uma fotografia com o seu namorado, ele inclusive mandou mensagem para a professora demonstrando certos símbolos ao dizer que havia perdido para a concorrência. O que fica claro é que até esse momento, nas investigações, é que agiu de uma maneira a não suportar o fato de a professora não ter aceitado as suas investidas, uma frustração por não ter sido correspondida amorosamente. É o que tudo indica com base nas formas técnicas e nos elementos de informações que nós já tivemos nesse inquérito.
É claro que a investigação segue para que a gente possa esclarecer todos os contornos desse crime.
Boato da nota baixa
“Uma outra versão que foi muito falada e adotada foi o fato de que ele poderia ter recebido nota baixa e não ter sido reprovado. Isso não procede. Nós já juntamos o boletim desse aluno junto ao inquérito policial que ele não tinha nota baixa a ponto de ser reprovado ou mesmo tivesse sido, de uma forma, prejudicado em suas notas pela professora Juliana ou até pelo outro professor na faculdade. Então, isso é uma versão totalmente descartada de um inquérito policial”.
Motivação
“A motivação aqui que está sendo trabalhada nesse momento e que está muito bem delineada é o fato de que houve realmente uma sensação e o aluno estava demonstrando ali uma insatisfação, na verdade, é essa, uma frustração pela não aceitação de uma rejeição. Ou seja, ele não respeitou ali a autonomia da professora em dizer não. Isso que fique claro, para ser enquadrado com o crime de feminicídio não precisa haver uma relação amorosa com a vítima. Basta que exista o sentimento de posse, o sentimento de menosprezo, o sentimento de que passa porque aquela vítima, por ser mulher, sofre uma violência tão brutal como a que sofreu Juliana”.
Ataque brutal
“O ataque foi tão brutal que ela teve uma lesão no coração, que teve uma hemorragia interna de grande extensão, chegando a um choque e morreu. Ou seja, ela levou à morte antes mesmo, antes mesmo de chegar ao hospital e ser socorrida ali de forma que pudesse ter uma vida, uma sobrevida diante do que aconteceu. É lamentável esse fato, lamentável que tenha acontecido com uma policial também, porque por mais treinadas que as mulheres sejam, principalmente policiais, elas não são imunes, imunes a esse tipo de violência. Então é um fato lamentável, nós lamentamos por ser mais uma mulher vítima disso, lamentamos profundamente por ser uma policial civil pertencente à nossa instituição, e lamentamos que fatos como esse continuam a acontecer, principalmente como aconteceu de uma forma tão brutal com a professora Juliana, deixando claro que as oitivas estão sendo realizadas. A polícia civil trabalha não para, estamos trabalhando praticamente diuturnamente, ininterruptamente, nesse inquérito policial, para que possa aí fornecer à justiça, ao Ministério Público, elementos provatórios suficientes para que possa fundamentar a condenação.
“Todos os levantamentos a respeito da relação entre aluno e professora estão sendo realizados no inquérito policial. A professora Juliana passou a lecionar na faculdade o objeto de questão desde janeiro do ano passado, especificamente para esse aluno, que é o suposto infrator, a partir do meio do ano do ano passado, ou seja, do semestre passado, e passou agora, novamente, a dar aula pra ele. Inclusive, o dia dos fatos, passa o primeiro dia de aula na queda policial, havia sido o primeiro no dia de aula era o primeiro dia de aula, não havia sido feito avaliações, seria o primeiro dia de aula. Foi uma aula, inclusive, de forma normal, tranquila, inclusive, os alunos participaram, a professora, ela foi muito bem falada pelos alunos, como sendo uma professora muito carismática, uma professora profissional, ética, e que nenhum momento havia fugido do seu comportamento profissional, ou seja, com o suposto infrator, como com qualquer aluno que seja naquela sala de aula. Estava tomando aí a relação professor e aluno, muito pelo contrário, eles falam muito bem a respeito da conduta profissional e ética dessa professora dentro de sala de aula”.
Criminoso e ela na sala
“Esses detalhes das investigações, nós vamos passar aí nos dias que se seguem, até porque nós estamos ainda fazendo análise das inúmeras câmeras de segurança que tem ali na localidade, não havia alguma câmera dentro da sala de aula, mas estamos analisando todas as câmeras de segurança, fazendo tanto o roteiro e de saída da escola, passo a passo, e isso vai ser demonstrado como um encerramento do inquérito policial.
Doce e a faca
“Não há prova no inquérito policial de que isso tenha ocorrido. O que aconteceu naquele dia na sala de aula foi que a professora fez questionamentos dos alunos, fez uma dinâmica realmente na sala de aula, e levou uns pequenos chocolates que todos os alunos praticamente receberam, aqueles que acertavam as respostas recebiam, assim como o aluno que é suposto infrator que acertou recebeu, e outros alunos da sala de aula também receberam. Foi uma dinâmica em sala de aula.
No inquérito policial não há nenhum elemento de prova que confirme essa versão de que a professora teria levado uma vasilha com a faca. Inclusive, uma pessoa próxima da vítima que disse que não é um objeto pertencente à Juliana, não pertencia a ela, nunca fez parte da casa dela, da residência dela.
Crime premeditado
“Estamos fazendo os levantamentos da vida pregressa do investigado. Nós não descartamos a hipótese de crime premeditado, não descartamos essa hipótese, estamos trabalhando nisso para poder aí fechar realmente o croqui e a situação do crime, de forma à premeditação, à execução do crime, e se realmente houve uma premeditação.
Fantasia do relacionamento e orientação do advogado
“Esse é um ponto crucial da investigação que é o que estamos aí procurando demonstrar com as provas técnicas no inquérito policial e elementos de informação que já estão sendo trazidos. Esse é o ponto chave. Isso aí estamos tentando colocar de uma forma muito clara. É óbvio que é uma fase embrionária, o fato aconteceu na sexta-feira, mas a investigação já está muito adiantada, mas ainda temos alguns dias aí pra conclusão do inquérito policial para que possamos fazer esse fechamento da investigação”.
Celular
“O celular dele não foi acreditado, não foi arrecadado, não foi aprendido, uma vez não foi acreditado na audiência policial, e os policiais que o conduziram também. Ele não estava de posse do celular para o momento da sua prisão.”
Prazos
“O inquérito tem prazo de 10 dias, ele foi autuado em flagrante na sexta-feira. O delegado plantonista representou pela prisão preventiva no ato da prisão em flagrante. Na audiência de custódia, o juiz que presidiu a audiência, ele reconverteu aquela prisão em flagrante em prisão preventiva.
Então o prazo para a conclusão desse inquérito policial é 10 dias. Então, nós temos 10 dias aí para encerrar essas investigações aí, concluindo esse inquérito policial. Por isso que nós estamos trabalhando aí, de uma forma intensa, para que a gente possa reunir o máximo de provas possíveis aí, para poder fundamentar a denúncia do inquérito policial”.
Por Ronodoniaagora
Por Rondoniaaovivo

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