Tenente da PM que prendeu professor com faixa contra Bolsonaro é afastado das funções

O tenente Albuquerque, como é chamado, foi retirado das ruas nesta terça-feira (1º/6), um dia depois de prender o professor e dirigente do PT em Goiás Arquidones Bites.

Afastado das funções operacionais por prender um professor do Ensino Médio que se negou a tirar do capô de seu carro uma faixa com os dizeres “Fora Bolsonaro genocida” em Goiás, o 1º tenente da Polícia Militar Marlon Jorge Albuquerque é instrutor de curso de aperfeiçoamento de colegas de farda. Com expressa autorização da PM, é professor de “uso seletivo da força”.

O tenente Albuquerque, como é chamado, foi retirado das ruas nesta terça-feira (1º/6), um dia depois de prender o professor e dirigente do PT em Goiás Arquidones Bites, em Trindade, na região metropolitana. A Polícia Federal em Goiânia, para onde o educador foi levado, o liberou por entender que ele não violou a Lei Nacional de Segurança, como alegou o oficial.





Comandou abordagem

Assessor de comunicação e porta-voz da PM goiana, o tenente-coronel Dalbian Guimarães Rodrigues disse que Albuquerque foi afastado das ruas porque ele comandou a abordagem contra o professor, apesar de outros três policiais aparecerem em vídeo, gravado por testemunhas, agredindo o professor para imobilizá-lo.

Os demais policiais militares, segundo Rodrigues, somente teriam obedecido à ordem do comandante da abordagem, já que não poderiam desobedecê-lo.

“O policial militar afastado é o oficial comandante da abordagem. Ele que é o superior. Somente ele foi afastado porque a decisão foi dele. Como é o superior, ele decidiu pela condução do cidadão”, explica o porta-voz da PM.

Metrópoles obteve, no portal Goiás Transparente, o nome completo do tenente, até então mantido sob sigilo, e o confirmou junto ao porta-voz da PM de Goiás. Além de atuar em Trindade, Albuquerque também ocupa cargo no Comando da Academia da Polícia Militar, segundo a transparência.

O portal não conseguiu localizar o contato de Albuquerque nem da defesa dele. O espaço segue aberto para manifestação do militar.

Carreira

O tenente compõe o quadro de pessoal da PM desde janeiro de 2010, de acordo com o Goiás Transparente. No último mês, teve salário total de R$ 16,1 mil, mas recebeu, de fato, R$ 10,5 mil, tirando os descontos.

Em 2010, Albuquerque, na época 1º sargento da PM, recebeu a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira “por contribuir para a segurança e o desenvolvimento do estado”, conforme propositura do então deputado Paulo Cezar Martins (PMDB) – hoje MDB.

O oficial da PM é conhecido pelos seus pares como defensor ferrenho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele é bastante conhecido pelos seus pares por colecionar críticas contra a esquerda.

“Bolsonaro genocida”

O educador Arquidones Bites levava em seu carro uma faixa com os dizeres: “Fora Bolsonaro genocida”. Ele foi parado por uma guarnição de quatro policiais militares na rua e solicitado a retirar a indumentária do veículo.

De acordo com o tenente responsável pela abordagem, identificado como Albuquerque, o professor estaria infringindo a Lei de Segurança Nacional no trecho que proibiria calúnias ao presidente da República.

Criada pela ditadura militar, e modificada em 2016, novas mudanças na lei estão em debate no Congresso e sob avaliação no Supremo Tribunal Federal (STF). Em maio, a Câmara aprovou projeto que a revoga, mas ainda falta o Senado decidir sobre o tema.





Abuso de autoridade

O governo de Goiás confirmou, em nota, que o “policial militar foi afastado de suas funções operacionais. Ele responderá a inquérito policial e procedimento disciplinar para apuração de sua conduta”, disse texto assinado pela SSPGO.

“O governo de Goiás, por meio da Secretaria de Segurança, informa que não coaduna com qualquer tipo de abuso de autoridade, venha de onde vier. Assim sendo, todas as condutas que extrapolem os limites da lei são apuradas com o máximo rigor, independentemente do agente ou da motivação de quem a pratica”, afirmou a nota.

A Polícia Federal informou, também por meio de nota, que, após ouvir todos os envolvidos, “entendeu-se não ter havido transgressão criminal de dispositivo tipificado na Lei de Segurança Nacional”.

Irmão do ex-secretário do Entorno do Distrito Federal e ex-vereador de Valparaíso de Goiás Arquicelso Bites, que morreu vítima da Covid-19 em 30/3, Arquidones disse ter tomado um soco dos policiais que o pararam na rua, em Trindade (GO), na segunda-feira. Ele protestou em memória do irmão caçula.

 

Por Metropoles

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