23 de junho de 2021

Pandemia derruba crimes no Rio em 2020, PM comemora

No total, as mortes por agentes do Estado caíram de 1.814 em 2019 para 1.239 em 2020, uma diminuição de 32%.

A pandemia fez despencar quase todos os registros de crimes no Rio de Janeiro em 2020. Os homicídios e latrocínios, particularmente, atingiram os menores índices do estado em 30 anos, e a curva de mortes por policiais que resistia a cair há seis anos finalmente se reverteu.

 Apesar de a redução de vários crimes apresentar uma relação clara com os meses de maior isolamento social, a Polícia Militar fluminense divulgou uma nota comemorando os dados, divulgados na quinta (28) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), e afirmando que eles são resultado de um conjunto de estratégias.

O comunicado destaca como melhorias “o trabalho cada vez mais articulado dos órgãos de segurança” e a “ampliação permanente e contínua do policiamento preventivo e ostensivo exercido diariamente pelos policiais militares, planejado com base na análise da mancha criminal”.

“A presença de nossa tropa em vias expressas, rodovias e corredores viários estruturais tem inibido a circulação de criminosos. Esse cerco permanente explica a redução dos roubos de rua, de veículos e de carga, proporcionando, consequentemente, uma redução expressiva dos crimes contra a vida”, diz no texto o secretário de Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo.

Certos crimes como homicídios e roubos já vinham de fato diminuindo nos últimos dois ou três anos no Rio de Janeiro, mas a queda mais expressiva em 2020 ocorreu visivelmente de março a meados de junho. Os números, de maneira geral, voltaram a subir no segundo semeste, à medida que as restrições foram sendo afrouxadas.

O próprio ISP, que é ligado ao governo estadual, cita ao analisar os dados um estudo que mostra uma forte correlação entre o período de isolamento e o total de roubos de rua (de pedestres, de celular e no transporte) e de veículos. A queda dos roubos de carga é a única que não pode ser explicada pelo isolamento.

“Pode-se entender, portanto, que a redução inicial dos crimes ocorreu em decorrência do início do isolamento social no mês de março de 2020, possivelmente por ter menos pessoas nas ruas, dificultando a oportunidade de ocorrer o crime, ou pela existência de possível subnotificação dos roubos ocorridos durante o período em questão”, diz o relatório.

A nota da Polícia Militar também não cita a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringiu operações policiais em favelas a “casos excepcionais” a partir de junho do ano passado, enquanto durasse a pandemia, e que teve um impacto significativo nos dados, segundo pesquisadores da área.

A variação que chamou mais atenção logo após a limitação da Corte foi a das mortes por intervenção policial. O índice -que é o maior do Brasil- vinha subindo desde 2014, bateu seu recorde histórico em 2019 e não dava sinais de trégua nos primeiros cinco meses do ano, mesmo com o coronavírus.

Porém, a média desse período, de 149 mortes mensais ou cinco diárias, caiu repentinamente para 34 no mês seguinte à canetada do ministro Edson Fachin, que obrigou as polícias a mandarem uma justificativa ao Ministério Público ao fim de cada operação.

O número, no entanto, voltou a subir nos últimos meses do ano, o que fez Fachin pedir explicações em novembro ao governador em exercício Cláudio Castro (PSC) e à Promotoria sobre o cumprimento da decisão. Ele também requisitou informações sobre o estabelecimento de metas e políticas de redução da violência policial.

No total, as mortes por agentes do Estado caíram de 1.814 em 2019 para 1.239 em 2020, uma diminuição de 32%. Outras reduções que podem ter sido influenciadas pelas restrições foram as de apreensão de armas e drogas, uma vez que as operações em comunidades são o principal recurso das polícias fluminenses para a atividade.

O número de armas apreendidas despencou de 8.423 para 6.440 entre um ano e outro, atingindo o menor patamar da série histórica iniciada em 2003. O destaque vai para os fuzis, que caíram quase à metade: de 550 para 284. Já as apeensões de drogas passaram de mais de 23 mil para quase 21 mil.

O ISP e a Polícia Militar destacaram que o total de policiais militares e civis mortos em serviço ou de folga foi o menor registrado nos últimos 23 anos, mas o número absoluto é de apenas dois a menos do que no ano anterior. Foram 65 agentes vítimas no ano passado, contra 67 em 2019.

Quanto às mortes violentas em geral (homicídios dolosos, mortes por intervenção policial, latrocínio e lesão corporal seguida de morte), o levantamento reforça um perfil já consolidado das vítimas: ao menos um terço tem até 29 anos, nove em cada 10 são homens, e 7 em cada 10 são pretas ou pardas.

Quando considerados apenas os homicídios, eles seguiram a tendência de queda dos três anos anteriores e atingiram o menor patamar desde 1991: foram 3.536 mortos no ano passado, uma redução de 12% com relação a 2019. Os latrocínios seguiram o mesmo caminho, com 87 vítimas, uma queda de 26%.

 

POR FOLHAPRESS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *