Evangélicos que fingem ser policiais no DF: “Temos só um comandante: Deus”

“Fizemos o nosso registro apenas em 2014, quando pensamos em estabelecer o uso de uniformes e de carros devidamente identificados. Essa ideia surgiu de mim mesmo e de outros quatro irmãos de igreja”, explicou.

Com cerca de nove anos de trabalho social realizado na região mais carente de Ceilândia – principalmente em áreas do Sol Nascente – maior favela do Brasil –, o pastor Gilmar Bezerra viu o projeto pessoal fundado por ele mergulhado em uma grande polêmica.

Bezerra é idealizador e fundador da Patrulha da Paz, organização missionária que recorre a aparatos muito parecidos – não idênticos – ao de forças policiais com o objetivo de abordar pessoas em situação de rua no Distrito Federal.

O formato do projeto chamou a atenção da própria comunidade evangélica e até mesmo de autoridades, que questionam a legitimidade da ação social. E levou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa (CLDF) e até o Conselho de Pastores Evangélicos (Copev-DF) a cobrarem explicações oficiais sobre a metodologia adotada.

Contudo, em entrevista ao Metrópoles, o pastor afirmou que o método usado é uma forma de chamar a atenção de pessoas vulneráveis para a seriedade da abordagem. “Quando nos apresentamos, já fica demonstrado que temos uma organização, que temos responsabilidade com esse trabalho”, disse.

De fato, quem não conhece e observa as “operações”, as quais envolvem até quatro “viaturas” paramentadas, veículos da marca Blazer devidamente adesivados com o nome do projeto e ainda com as rotolights acesas, chega a concluir se tratar de uma ação policial enérgica.

Entretanto, o pastor explica que, na verdade, é um pelotão para levar “a palavra de Deus” a quem precisa encontrar um caminho. “Nós temos apenas um comandante: é Deus”, frisa.

Atualmente com a iniciativa conta com o apoio de 40 voluntários. O fundador da Patrulha da Paz garante não estar em conflito com a lei por recorrer à aparência das forças de segurança para realizar um trabalho com objetivo classificado como nobre.

“Estamos nos preparando para pedir ajuda financeira ao governo local e aos deputados distritais para continuarmos tocando o projeto. Se as autoridades acharem por bem que a gente deixe de usar nossos uniformes de trabalho, a gente deixará. Mas nunca estivemos fora da lei”, destaca Gilmar Bezerra.

Veja o vídeo:

Abordagem social

As inegáveis semelhanças aos “camburões” e aos uniformes dos grupos de operações táticas da Polícia Militar nem de longe, afirma Gilmar, têm a intenção de coagir as pessoas menos esclarecidas.

“Nunca fizemos o uso de comparação com a polícia. No nosso carro está escrito o nome do nosso projeto. Todos os moradores de rua já conhecem os paramentos das forças policiais, que são diferentes dos nossos. Nosso nome diz: somos da paz”, garante.

Quer saber? Nunca fomos confundidos com policiais e isso é muito simples: na hora em que nos apresentamos, a primeira coisa que falamos é boa noite. Quando há o trabalho de repreensão, como é feito pela polícia, não há de se falar em abordagem gentil. Nosso trabalho é diferente, é social.

PASTOR GILMAR BEZERRA, IDEALIZADOR E FUNDADOR DA PATRULHA DA PAZ

Aos 45 anos, o brasiliense diz desenvolver atividades na região periférica de Ceilândia desde 2011, mas apenas no ano seguinte surgiu a ideia de registrar o trabalho e fazê-lo ser oficialmente reconhecido.

“Fizemos o nosso registro apenas em 2014, quando pensamos em estabelecer o uso de uniformes e de carros devidamente identificados. Essa ideia surgiu de mim mesmo e de outros quatro irmãos de igreja”, explicou.

Fundador e seguidor do Ministério A Promessa de Deus, igreja sediada no mesmo local da Patrulha da Paz – o condomínio Privê, em Ceilândia –, o pastor desmente a internação clínica de dependentes químicos como desculpa para a evangelização. Também reafirma que não há coação e que a maior preocupação é com a saúde e acolhimento das pessoas em situação de rua.

“O nosso trabalho nas ruas é o de levar a palavra de Deus, mas sempre evangelizando. Ninguém é internado de forma compulsória, nem temos poder para isso. O que fazemos e mostrar que existe um outro mundo para as pessoas em situação de rua. Se eles aceitam, a gente faz uma triagem, custeia exames e direciona para uma instituição com o perfil adequado”.

 

Fonte: Metropoles

Categorias:Geral e Cotidiano

1 resposta

  1. O trabalho é nobre porém na mi há opinião esse pastor é frustrado por não ter co seguido entrar para as fileiras policiais aí usa desse aparato como refúgio.

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