Policial Penal morre com câncer sem poder se afastar do presídio

“Ela foi um exemplo de força para todos nós. Apesar de sua saúde frágil, estava vestindo a camisa da Polícia Penal”

A veterana policial penal Elma Oliveira Melo perdeu a guerra contra o câncer de pulmão, que vinha sendo travada a quase 4 anos. Mas, deixou o exemplo de quem lutou pela vida até o último suspiro, aos 70 anos de idade.

Elma Oliveira, que morreu nesta quarta-feira (29) em decorrência da doença, ainda estava na ativa, trabalhando na Casa de Detenção de Vilhena, contrariando os próprios limites e contra recomendação médica de que deveria se afastar do trabalho para descansar e poupar as forças minadas pelo agressivo tratamento químico contra o câncer.

Meu primeiro contato com ela foi em agosto do ano passado, numa entrevista para uma matéria que foi veiculada na imprensa. Foi quando me revelou o porquê de seguir trabalhando doente. Até aquele dia, Elma já havia sido submetida a 21 sessões de quimioterapia e 32 de radioterapia, e ainda arranjava forças para fazer plantão no presídio de Vilhena.

“Meu salário já vem descontado pelo banco, dos empréstimos que fiz para custear meu tratamento. E se eu me afastar, vai ficar praticamente nada!”, revelou Elma na ocasião.

Trabalhou doente até morrer para evitar a redução drástica na sua remuneração como servidora do estado, com a retirada de benefícios como adicionais de isonomia, de insalubridade e de risco de vida, que não estão incorporados no vencimento dos policiais penais. Portanto, em caso de afastamento, mesmo por licença médica, os adicionais ficam retidos pelo estado, ocorrendo uma redução média de até 40%.

Carreira

Elma ingressou no sistema prisional rondoniense em 1991. Atingindo 29 anos de carreira em 2020. E marcou história como a primeira mulher a assumir a diretoria do presídio de Vilhena. “Na época, a transmissão do cargo foi feita pela Polícia Civil, que assumia a unidade antes de mim. Foi um desafio, e ao mesmo tempo uma honra, pois, até então, o cargo tinha sido ocupado somente por homens”, me relatou, transparecendo um sentimento de honra.

A trajetória da servidora também foi marcada por outras responsabilidades, como a experiência de acumular cargos de direção em dois presídios ao mesmo tempo. “Não sei como consegui dar conta! Mas sempre trabalhei bastante, e me dedico ao máximo que posso a tudo que vem às minhas mãos”, declarou Elma na entrevista que ela me marcou.

Nas redes sociais, amigos e colegas manifestam gratidão pelos exemplos deixados pela profissional. Conversei com uma policial que trabalhava com ela em Vilhena, e o que disse traduz bem e pessoa que Elma era: “O que mais me impressionava era a vontade que ela tinha de viver. Acredito que foi isso que fez ela permanecer entre nós até esse dia”, comentou Sônia Boff, acrescentando: “Ela foi um exemplo de força para todos nós. Apesar de sua saúde frágil, estava vestindo a camisa da Polícia Penal”.

Descanse em paz, Elma!

 

Fonte: Tudorondonia/Por Lucas Tatui

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